No filme “MIB – Homens de Preto”, de 1997, o personagem de Tommy Lee Jones, ao comentar com o de Will Smith sobre tecnologias “roubadas de alienígenas” – como forno micro-ondas e lipoaspiração –, também mostra o que seria “o substituto do CD”: um disco escuro que cabe na palma da mão. “Terei que comprar novamente o Álbum Branco”, diz Jones. Quão arrependido não deve ter ficado o roteirista anos depois ao perceber que quase nada poderia ser tão antiquado e errado quanto a sua previsão no que diz respeito ao futuro da música? Mas vamos dar um desconto a ele: nossas cabeças há 20 anos ainda estavam muito presas ao conceito de mídia física.

 

CDs, hoje, geralmente estão na caixa de promoções a preços ridiculamente baixos ou são encontrados custando caro demais, uma vez que adentraram a categoria de “relíquia”. Em breve poderão voltar a ser procurados, mas de um outro jeito, como hoje são os vinis e, em menor escala, as fitas K7. Será coisa de colecionador, de audiófilo. Ou de saudosista mesmo.

 

Para os mais antenados (antena? Outra ideia antiga), a invisibilidade da mídia musical já é uma realidade, e há algum tempo. O som está na nuvem, nos serviços de streaming, verdadeiramente revolucionários e cada vez mais populares. Para se ter uma ideia, o Spotify, serviço de streaming de música, além de vídeos e podcasts, lançado em 2008 pela startup sueca Spotify AB, em julho de 2017 já contava mais de 140 milhões de usuários ativos mensais e mais de 60 milhões de assinantes pagantes, que podem desfrutar de um catálogo de mais de 30 milhões de músicas.

 

Pois é: hoje, pagando menos de R$ 20 por mês, uma menina ou um menino brasileiro pode ter acesso a um verdadeiro universo sonoro, com faixas com qualidade de até 320 kpbs, sem comerciais e podendo ainda baixar músicas, playlists e álbuns inteiros para o seu celular. São dezenas e dezenas de discos – lançados entre hoje e mil novecentos e bem pouquinho – que um(a) jovem pode ouvir, a cada mês, com seus meros 13 anos de idade. Tem noção do impacto positivo que isso pode causar em boa parte de uma geração? Livre acesso ao que de melhor (e de pior, o que também pode ser bom) o mercado da música oferece, livre acesso às seções mais diversas das velhas lojas físicas, por um valor irrisório pago mensalmente. Cultura. Cultura musical e sônica. Aprimoramento estético. Tudo via streaming.

 

Essa mesma pessoa em formação no passado teria que economizar no lanche, seja na escola ou no shopping, para poder comprar aquele disco. E era um só. Tinha que deixar de ir ao cinema para comprar aquele K7 ou compras fitas virgens para poder piratear copiar os discos dos amigos. Hoje, legalmente, pagando os artistas, ele troca o cinema pela Netflix e escuta o quanto quiser de música no seu serviço de streaming favorito. É um mundo inteiramente novo.

 

As gravadoras também sentem essa revolução, pois não são mais o único caminho para os artistas serem vistos pelo mundo. Nunca foi tão fácil para um artista independente não apenas produzir, mas também disseminar sua música. Assinando com plataformas de distribuição digital, que em sua maioria não cobram nada pelo serviço, eles podem levar seu novo single ou álbum a um grande número de serviços de streaming em tempo recorde. Aproveitando as opções que os serviços oferecem, e produzindo boa música, de repente até destaque em seções de lançamento eles terão, ganhando visibilidade ainda maior junto ao público.

 

A música “Shape of You”, de Ed Sheeran, esse ano se tornou a mais popular da história do Spotify, com 1,4 bilhão de plays. Isso: bilhão. Mesmo nas épocas de maior vendagem de discos, fitas e CDs, não falávamos em “bi”. Ok, também porque não tínhamos como quantificar. Execuções, e em 2017 tudo pode ser contado, contabilizado, virar gráfico. O mundo da música hoje é outro por causa dos serviços de streaming, e as mudanças podem estar apenas começando.

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